Publicado por: Weskley Cotrim | 20/05/2008

Para Marina Silva:”política sem teologia é puro negócio”

No último fim de semana, fui a um almoço na casa do pastor da minha igreja. Foi uma tarde muito agradável, o contato com os irmãos, a boa comida e o ambiênte da casa do pastor que é muito agradável.

Sobre essa última parte quero fazer alguns comentários. O pastor Sérgio Figueira construiu uma casa muito confortável em uma região mais afastada da cidade. E dentre as coisas bacanas que ele construiu, está um fogão à lenha.

Bem, foi a beira desse fogão à lenha que mais uma vez tivemos uma conversa agradável. Por algum motivo, começamos a falar sobre responsabilidade ambiental, e o pastor Sérgio explicando que só utilizava lenha de madeira de árvores que cairam. Isso eu posso atestar, é verdade.

Nesse momento lembrei de um e-mail que eu havia recebido alguns dias atrás, falando sobre o lançamento de uma bíblia ecológica.

Isso nos chamou a atenção para o fato de que no nosso meio (meio evangélico), pouco se fala sobre nossa responsabilidade ambiental. Poucos falam sobre o assunto, e um número menor ainda faz alguma coisa sobre o tema. Devemos nos lembrar da ordem de Deus para Adão no momento que o colocou no jardim do Éden. “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para lavrar e o GUARDAR.” Gênesis 2:16.

Não podemos nos omitir a esse tema. Resolvi escrever esse texto, ao receber, por e-mail, um texto do teólogo Leonardo Boff, falando sobre a saída da ex-Ministra Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. Concordo com o Leonardo, política sem teologia é puro negócio.

Espero que vocês gostem do texto abaixo.

Que Deus abençoe a todos.

 

Leonardo Boff
Teólogo
                               
A saída de Marina Silva do Ministério  do Meio Ambiente representa uma pesada perda de qualidade política do governo Lula. Por qualidade política entendo a competência do governante de manter a unidade dos contrários, contrários esses, inerentes a todo convívio social e democrático, que confere dinamismo e vida à sociedade. Marina Silva representava um pólo decisivo no governo e fundamental para uma política responsável pelo futuro da vida e da integridade do Planeta: o cuidado com o ambiente inteiro e com as condições ecológicas que garantem a vida em toda sua imensa diversidade. No outro pólo estão outros, em maior número, que perseguem um projeto, que nos remete ao século XIX, de crescimento material acelerado e a todo custo, sem considerar a mutação das consciências ocorrida no Brasil e no mundo face  principalmente às perigosas transformações negativas do estado da Terra, ocasionadas, em grande parte, por aquele projeto. Missão do governante é ser um homem de síntese, capaz de articular os pólos e ter a sabedoria suficiente para decisões estratégicas, mesmo difíceis, que garantam o futuro de nossa existência neste pequeno Planeta. O atual presidente mostrou essa capacidade de síntese. Mas desta vez, parece-nos, se operou desastroso desequilíbrio. Com a ausência de Marina Silva, há o risco do pensamento único e da obsessão furiosa  pelo crescimento fazendo crescer nossa dívida para com a natureza e as gerações futuras. A ex-ministra Marina Silva mantinha tenaz coerência com a missão que se propôs de introduzir a partir de seu Ministério a transversalidade do cuidado ecológico em todas as instancias do poder, no esforço de conferir uma direção inovadora e à altura dos desafios contemporâneos ao desenvolvimento sócio-ambiental sustentável. Foi vista como obstáculo ao crescimento e como empecilho à modernização. E efetivamente era e precisava se-lo. Não é possível com tudo o que sabemos da história e da experiência recente continuar com o tipo de crescimento retrógrado que visa a acumulação à custa da devastação da natureza e do aprofundamento das desigualdades sociais. Há que se estigmatizar essa modernização conservadora e socialmente criadora de tantas vitimas no campo e nas cidades. As pressões contra a ministra vindas do interior do próprio governo e do exterior, de grupos poderosos ligados à pecuária e ao agronegócio solaparam a sustentação política e a viabilidade de seu trabalho, especialmente, com referência à preservação da floresta amazônica. Retirou-se do ministério pela porta da frente, com elevado espírito público e ético, protestando lealdade e fidelidade ao presidente.

 Marina Silva era uma das reservas éticas do governo, uma referência de credibilidade para o Brasil e para o mundo. Mas ética era pouco para ela. Movia-a uma inspiração espiritual, de serviço à vida e de proteção a todo o Criado. Ela me faz lembrar a frase de um dos grandes pensadores da escola de Frankfurt que foi um rigoroso marxista e materialista: Max Horkheimer. No final de sua vida escreveu um instigante livro:”Saudade do totalmente Outro”. Ai, como marxista e não como cristão, diz:”uma política, sem teologia, é puro negocio”. E explicava:”teologia significa aqui, a consciência de que o mundo não é a verdade absoluta, que não é o fim; teologia é a esperança de que tudo não se acabe na injustiça que tanto marca o mundo, que a injustiça não detenha a última palavra”. Estimo que Marina Silva mostrou em sua vida e prática a verdade desta sentença. Por isso todos lhe somos agradecidos e devedores.

 

 


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